ENERGIA ELÉTRICA

Alternativas garantem seu espaço no Estado do Ceará

A geração de energia eólica e solar, em escala e por microgeração, está em expansão em nosso território

Iguatu. Gestores municipais, empresários e moradores priorizaram a energia renovável como meio de combater as mudanças climáticas. Essa foi a conclusão de quatro anos de um trabalho coordenado pelo Iclei, principal associação mundial de governos locais dedicados ao desenvolvimento sustentável, realizado em cinco capitais e na cidade de Betim, Minas Gerais.

Igor Albuquerque, gerente de Mudanças Climáticas do Iclei e responsável pela etapa brasileira do Urban LEDS, destacou que cada cidade já tem projetos em andamento, experimentos que tendem a se expandir. O esforço de cada gestão é reduzir suas emissões de carbono, que é o principal gás causador do efeito estufa (GEE) com consequências para o aquecimento global.

Dentre as energias renováveis, destaca-se a solar. Albuquerque acredita que esse tipo de fonte energética, produzida a partir de painéis fotovoltaicos, tem apelo forte e tende a ser prioritária nos próximos anos. Paralelamente à gestão pública, empresários e moradores começam a investir na aquisição de equipamentos para geração de energia solar para ser distribuída ou mesmo consumida por empresas e em uso doméstico.

Os números ainda são tímidos, é verdade, mas já começam a obter destaque. Em um cenário de médio prazo, deve ocorrer uma expansão formidável. Na cadeia produtiva, a geração de energia solar deve ganhar espaço em uma década. Em comparação com o setor eólico, a produção ainda é reduzida.

Capacidade

Atualmente, o Ceará possui capacidade instalada de 3.287,3 megawatts (MW), distribuídos em 88 unidades geradoras, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A maior parcela da produção de energia elétrica advém das Usinas Termelétricas (UTEs), que utilizam insumos como carvão mineral, óleo diesel, óleo combustível e gás natural, perfazendo um total de 1.953,8 MW instalados, representando 59,44% da matriz energética estadual.

Dentre os aproveitamentos energéticos renováveis, merece destaque a produção das usinas eólicas, que participam com 40,25% da matriz energética por meio de 48 unidades geradoras. Em se tratando de aproveitamento solar fotovoltaico, o Ceará possui uma unidade geradora com capacidade de produzir 1 MW, no município de Tauá.

No Ceará, há 26 empreendimentos em construção para geração de energia elétrica, com potência instalada de 811 MW, dos quais 25 utilizarão recursos renováveis, sendo responsáveis pela produção de 73,12% dessa energia. O Estado possui na cadeia produtiva de componentes para a indústria eólica, duas fábricas de pás, em Caucaia, uma de torres de concreto para parques eólicos e outra de componentes para turbinas eólicas, em Aquiraz. Os dados são da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Indústrial (ABDI).

Empregos

A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica mostra que para cada megawatt solar instalado, são criados entre 20 e 30 empregos diretos e indiretos. O setor deve gerar no Brasil até 2018 cerca de 100 mil novos postos de trabalho. O presidente da entidade, Rodrigo Sauaia, acrescenta que a geração de emprego nessa área está relacionada a postos de trabalho que exigem qualificação técnica e até de ensino superior, mas fomenta também a ocupação da mão de obra local.

O projeto coordenado pelo Iclei foi realizado por meio de comitês e grupos de trabalho nas cidades de Fortaleza, Recife, Belo Horizonte, Betim, Rio de Janeiro e Porto Alegre, mediante a participação da população e de especialistas para estabelecer as políticas e ações de enfrentamento às mudanças climáticas.

O Brasil é um país tropical e recebe energia solar ao longo do ano na ordem de 1.013 MW/hora. Segundo informações do Ministério do Meio Ambiente (MMA), 69,76% da matriz elétrica são de energia hidráulica; 27,12%, térmicas; 1,68%, nuclear; e 1,44% eólica.

Tendência

No Interior, as iniciativas de implantação de energia limpa ainda são pontuais, mas refletem uma tendência. O empresário João Marcos implantou em um empreendimento hoteleiro, na cidade de Juazeiro do Norte, 14 placas fotovoltaicas e em três anos reduziu em 30% o custo com energia elétrica.

O arquiteto e urbanista Paulo Barreto, explica que há uma tendência mundial para se produzir a própria energia residencial a partir de placas solares e de microturbinas eólicas. Ele lembrou que, no início, há investimentos em equipamentos, mas, ao longo do tempo, vem o retorno financeiro. Outro ganho refere-se à proteção ambiental, redução da poluição, das fontes não renováveis, do combustível fóssil.

Microgeração

"Há necessidade econômica e estratégica de se depender menos do petróleo", observa o ambientalista Paulo Ferreira Maciel. Desde março passado, houve mudanças na legislação e incentivo para a geração da própria energia, dentro de um processo de microgeração distribuída. Em várias cidades do Interior, empresários começam a investir em placas solares. Essa tendência já chega também às residências. No Cariri, Marco Caldas instalou seis placas fotovoltaicas e mostra-se satisfeito. A ideia é cada um fazer a sua parte, pensar na geração futura, manter a sustentabilidade com a produção de energia limpa.

Um campus universitário, em Juazeiro do Norte, decidiu investir em geração de energia solar. Mais de 800 placas foram instaladas em uma primeira etapa. Duas razões motivaram o empresário do segmento da educação superior, Jaime Romero: evitar repasse do custo de energia elétrica para as mensalidades e reduzir o impacto ambiental.

As iniciativas do Iclei relacionadas à energia solar consistiram em ações modelo, ou seja, de pequeno escopo, mas com alto grau de monitoramento para avaliar sua eficácia e replicabilidade. "Ficou evidente que a energia solar tem um apelo muito forte e tende a ser priorizada", afirma Igor Albuquerque, gerente de Mudanças Climáticas do Iclei e responsável pela etapa brasileira do Urban LEDS.

O projeto Urban LEDS é uma estratégia de desenvolvimento urbano de baixo carbono que define um caminho de transição para uma cidade de economia urbana verde e inclusiva.

No Ceará, a geração de energia solar em maior escala ainda está limitada à usina implantada na cidade de Tauá, com geração de 1MW. O cenário, entretanto, para os próximos anos, é animador. Há duas novas unidades para serem implantadas nas cidades de Banabuiú e Massapê. No último leilão de energia, o Estado foi contemplado com quatro usinas em Quixeré com produção total de 120MW.

Em Pindoretama, o Grupo Telles implanta um parque de energia solar com capacidade de geração de 1MW e possibilidade de ampliação para 5MW. Para 2018, estima-se a produção de 90MW em uma usina em instalação em Aquiraz. As cidades de Acopiara e Guaraciaba do Norte obtiveram licença ambiental da Semace para instalação de usinas de energia solar. Cada planta deve gerar 1 (MW) megawatt. (Diário do Nordeste )