INDÚSTRIA

Salário médio no Ceará é o segundo mais baixo do País

Um dos principais empregadores do Estado, o setor industrial, segundo o estudo da CNI, conta com um total de 374.821 trabalhadores cearenses, o que corresponde a 24,1% do emprego formal do Ceará e 3,3% da força de trabalho industrial do País. Apesar de tal volume, a indústria local ainda possui um título não muito positivo: o de segundo salário médio mais baixo do Brasil.

Conforme o estudo Perfil da Indústria nos Estados, divulgado pela CNI, os trabalhadores da indústria cearense ganham, em média, R$ 1.371,50 - 39,4% abaixo da média nacional. Em todo o País, o valor só fica atrás do registrado na Paraíba, de R$ 1.338,10. "O Estado vem apresentando, nos últimos 40 anos, uma política importante de atração de investimento, que visa levar indústrias para o interior e para outras regiões menos tradicionais. Ocorre que, nesses locais, há uma mão de obra menos qualificada, o que culmina em salários menores. Esse baixo custo do trabalhador local, infelizmente, é utilizado, inclusive, como atrativo para essas empresas virem para o Ceará", diz o coordenador de estudos e analista de mercado do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), Erle Mesquita.

Segundo o analista, a situação instável da economia brasileira também pesa negativamente no salário dos trabalhadores da indústria, posto que muitos ficam com receio de perder o emprego e ficam sem um grande poder de negociação com os empregadores. "Se você pegar um técnico polivalente, que é uma das funções mais comuns na indústria, e comparar o salário de um que trabalha no Ceará e outro que desempenha a mesma função no Rio Grande do Sul, a discrepância se torna enorme".

25 mil já cortados

De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado mensalmente pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o Ceará já possui 16 meses consecutivos de retração no emprego industrial. Neste período, que vem desde dezembro de 2014, o Estado já perdeu 25.897 postos formais na indústria, o que coloca o setor como principal "vilão" na queda do mercado de trabalho local.

"Além do salário baixo, os trabalhadores cearenses também estão ficando sem opções. Isso mostra claramente o momento de dificuldades que vive a indústria cearense", comenta Mesquita. Segundo ele, a queda nos postos de trabalho ocorreu basicamente em todos os ramos da indústria, com exceção do segmento de material elétrico. "A maioria das vagas fechadas pertenciam à indústria de calçados e têxtil. A primeira, aliás, acumula perdas de mais de 10 mil trabalhadores, enquanto a segunda cortou cerca de 9,5 mil empregos celetistas. O setor de alimentos vem logo em seguida", ressalta o analista do IDT. (AL) (Diário do Nordeste)