EQUIPE DE TEMER

Ministro minimiza recuos em declarações

Depois do ministro da Justiça, ontem foi a vez do titular da Saúde, Ricardo Barros, retificar discurso

O secretário de Governo, Geddel Vieira Lima, afirmou que "determinadas" falas vinham sendo "transmitidas para a sociedade da maneira errada" ( Foto: Ag. Brasil )
Brasília. Responsável pela articulação do governo Michel Temer com o Congresso, o ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) recorreu a uma ironia ao ser questionado sobre as diversas idas e vindas e recuos em declarações públicas de integrantes da nova gestão.

Ao responder sobre a questão, disse que ele também não estava conseguindo se comunicar. "Estou sendo incapaz de transmitir a vocês com competência aquilo que vocês me perguntam", rebateu.

Ontem, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, corrigiu as declarações prestadas sobre a revisão do tamanho do Sistema Único de Saúde (SUS).

No dia anterior, foi o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, quem se viu obrigado a minimizar o teor de suas falas. Ele disse que o presidente não era obrigado a escolher nome enviado em lista tríplice para comandar a Procuradoria-Geral da República (PGR). Logo em seguida, a assessoria de Temer disse que ele manteria o sistema atual, com escolhidos por integrantes do próprio MPF. Ontem, Moraes negou ter havido mal-estar. Em novo tom, ele disse que até considera "muito bom" escolher o primeiro colocado.

'Maneira errada'

Antes de ser questionado sobre as idas e vindas no discurso dos colegas de governo, o ministro Geddel Vieira Lima afirmou que "determinadas declarações" da equipe de Temer vinham sendo "transmitidas para a sociedade da maneira errada".

Falta de recursos

Também ontem, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que dos R$ 118 bilhões previstos no orçamento deste ano para a Saúde, R$ 9,9 bilhões foram contingenciados. Com o corte, recursos para custear programas considerados essenciais, como Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Farmácia Popular e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), são suficientes somente até agosto.

Ministério da Cultura

A Comissão de Educação do Senado aprovou ontem a convocação do ministro Mendonça Filho (Educação e Cultura) para que ele explique ao colegiado como a Pasta manterá os programas e projetos ligados à área cultural após a extinção do Ministério da Cultura. Ao anunciar a formação de seu governo, o presidente interino Michel Temer cortou o Ministério e criou a Secretaria Nacional de Cultura, subordinada ao MEC.

"Queremos saber como o ministro irá dar continuidade à infinidade de programas que a Cultura gerenciava, como eles serão assumidos e acumulados pela Educação e qual é a argumentação para o fim do Ministério", explicou o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), autor de um dos requerimentos aprovados.

Ontem, a atriz Bruna Lombardi e a consultora de projetos culturais da Fundação Getúlio Vargas, Eliane Costa, recusaram convite para assumir a Secretaria Nacional de Cultura.

Desde a última segunda-feira, parte expressiva da classe artística brasileira afirmou que pretende usar ocupações, shows e cartas de repúdio como estratégias para lutar contra a extinção do Ministério da Cultura. Ao longo dessa semana, prédios públicos de ao menos dez capitais, incluindo Fortaleza, estão ocupados ou são alvos de protesto de manifestantes contrários à extinção da pasta.

Direitos Humanos

Às voltas com "bate-cabeças" em sua equipe ministerial, Temer definiu o nome da procuradora Flávia Piovesan (que já aceitou a indicação) para o comando da Secretaria de Direitos Humanos, estrutura que será subordina ao Ministério da Justiça. A iniciativa é um esforço para compensar a ausência de mulheres em cargos de primeiro escalão.

Especialista em direitos humanos e direito internacional, a paulista é professora da Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP), já atuou na Organização das Nações Unidas e chegou a ser cotada para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) em 2012. (Diário do Nordeste)