SEM AJUSTE FISCAL

Rombo no orçamento é risco de hiperinflação

O Congresso aprovou meta fiscal em que autoriza o Governo a registrar déficit primário de R$ 170,5 bilhões

O ajuste fiscal se faz mais necessário do que nunca, pois, segundo economistas, se as medidas não forem aprovadas, o rombo nas contas públicas aumentará e a consequência iminente é a volta da hiperinflação.

Na madrugada de ontem o aumento do déficit primário do Governo Federal foi aprovado no Congresso Nacional. A nova meta fiscal autoriza o Governo Federal a registrar rombo de R$ 170,5 bilhões neste ano. Hoje, a dívida bruta do Brasil está em 67% do Produto Interno Bruto (PIB) e avaliações indicam que ela pode ir a 80% nos próximos anos.

A primeira meta proposta para 2016, ainda pelo Governo de Dilma Rousseff, era de superávit primário de R$ 24 bilhões. Em seguida, o próprio Governo enviou ao Congresso proposta de déficit primário de R$ 96,6 bilhões. Assim, a terceira meta, proposta pelo Governo de Michel Temer e aprovada ontem no Congresso, representa uma variação de R$ 194,5 bilhões com relação á meta fiscal original.
 
Riscos

A instabilidade política levanta o debate sobre o risco de o ajuste fiscal demorar para ser aprovado. E quanto mais tempo, mais insegurança para a economia. Marcos Antônio Andrade, professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, lembra que é o terceiro ano consecutivo que as contas públicas apresentam déficit. “Existe uma preocupação com a volta da hiperinflação”, diz.  

Risco esse que Paulo Pontos, analista de políticas públicas do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), acredita ser real. “A reforma da Previdência é tema básico e o custo do adiamento dessa discussão só aumenta. O desajuste das contas não pode perpetuar, senão o risco é de hiperinflação”, diz.

Justamente por esse perigo que Ricardo Eleutério, economista e professor de mercado de capitais da Universidade de Fortaleza (Unifor), diz que os ajustes fiscais têm de ser feitos o quanto antes. Desequilíbrios fiscais, como anos anteriores mostram, podem ser financiados de três formas: emitindo dinheiro, que acarreta em inflação, aumentando impostos, o que atrofia a atividade econômica, e emitindo títulos do tesouro. 

Quando se emite títulos, cria-se uma dívida pública mobiliária e há necessidade de emitir mais títulos para cobrir o déficit. “Vai virando bola de neve e nossa dívida chega ao final trágico do Governo não conseguir se financiar. Passa a monetizar a dívida, imprime dinheiro para financiá-la, mas sempre tem no fim dessa linha a possibilidade de hiperinflação”. (O Povo)



NÚMEROS

67% do PIB  é a dívida bruta do Brasil, que pode chegar a 80% 

Saiba mais

A meta fiscal, economia que o Governo promete fazer para pagar a dívida pública, gira em torno da expectativa da receita arrecadada e também dos gastos

A nova meta com o déficit foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que apontou dificuldades diante da crise econômica e queda nas receitas com um recuo do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,8% em 2014 e também em 2015

Contribuiu o fato de que, caso a meta não fosse revista até o dia 30 de maio, o governo teria de cortar mais despesas para cumprir a meta já aprovada no Governo anterior, com previsão de superávit de R$ 24 bilhões

Em fevereiro de 2016, déficit de R$ 60,2 bilhões passou a ser considerado pelo então ministro da Fazenda Nelson Barbosa

R$ 96 bilhões era o tamanho do rombo previsto pelo governo Dilma antes da votação do impeachment