NECESSIDADE NO ESTADO

Indústria defende água na matriz de prioridades

Fiec elenca alternativas caso os polos cearenses sofram com a falta de abastecimento no 5º ano de estiagem no CE

A possibilidade de não ter água para garantir o cumprimento dos contratos já assinados também preocupa o setor industrial, especialmente os empreendimentos instalados naquele que é considerado o de maior potencial de desenvolvimento do Estado, o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), conforme aponta o presidente do Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra) da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), Heitor Studart.

Sem garantias concretas de que as obras responsáveis por levar água bruta àquela região sejam finalizadas antes de um possível colapso de abastecimento do setor, ele vê poucas alternativas viáveis. De acordo com o representante da Fiec, o Ceará necessita de uma matriz de prioridades, assim como o governo federal, com regras pré-definidas para que a iniciativa privada possa ter confiança e participar dos projetos.

Expectativas e pé no freio

"O que deixa o empresário descrente e apreensivo em relação aos investimentos, inclusive, com o pé no freio, é a insegurança hídrica em primeiro lugar e, em segundo, é a alfandegária. Sem falar na situação político-econômica do País, que por si só, já afugenta", afirma.

Atualmente, o Cipp, assim como a Região Metropolitana de Fortaleza, tem a expectativa de contar com as águas da Transposição do Rio São Francisco, que devem estar disponíveis no Ceará em outubro, conforme o Ministério da Integração. No entanto, mesmo que este prazo seja cumprido, há ainda a necessidade de o Cinturão das Águas do Ceará interligar a barragem de Jati, primeiro local onde chegarão as águas ao Castanhão.

Possibilidades

Para o presidente do Coinfra, a melhor forma de garantir segurança hídrica aos industriais de imediato e sem depender da Transposição, especialmente os do Cipp, seria fazer o uso do recém-descoberto reservatório subterrâneo que se estende sob as dunas do Cumbuco, em Caucaia, até Baleia - uma área em terno de 107,89 km de extensão.

De acordo com Heitor Studart, "o aquífero das dunas é a alternativa que possibilita a oferta de água de forma mais rápida, pois, com 30 dias de trabalho, já está jorrando água".

"Nós conhecemos mais os poços profundos feitos em sítios e residências, com 180 metros e vazão de 5 mil metros cúbicos por segundo. Mas os que devem ser feitos para o reservatório subterrâneo devem ter uns 500 metros de profundidade, semelhante aos de petróleo que temos aqui no Estado", descreve.

A utilização da água por estações de tratamento de esgoto da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) ainda foi apontada pelo representante da Fiec como uma possibilidade viável para atender pequenas e médias indústrias que venham a ter problemas de abastecimento. Segundo reforça, "existe uma estação da Cagece no Cumbuco e pode muito bem ser feito uma tubulação até o Cipp".

Usina inspira mais estudos

Sobre a ideia já analisada por empresários e governo estadual de construir uma usina de dessalinização da água do mar, Heitor Studart classificou o projeto como carente de mais estudos, antes de ser considerado realmente viável.

"Nunca houve uma usina de dessalinização piloto no Ceará, por exemplo, para balizar os custos de um equipamento desse porte e dessa importância. É preciso pelo menos um noa de funcionamento de testes", disse, alertando sobre a necessidade de colher informações para definir como e quantos empreendimentos poderão contar com a água dessalinizada.

O presidente do Coinfra afirma que não é possível iniciar a operação comercial de imediato, assim que for construída a usina. Studart afirma que a iniciativa privada tem interesse em participar do projeto. "Agora, é preciso estabelecer o funcionamento. Quais as regras? Pode fazer uma concessão? De quanto tempo? O que não dá é começar empreendimento desse porte sem regras e protocolos pré-estabelecidos", afirma. (AOL/Diário do Nordeste)