NA REGIÃO METROPOLITANA

252 mil pessoas estão na fila do desemprego

Índice bateu novo recorde em abril, pelo segundo mês seguido. Taxa passou de 13,1% em março para 13,6%

A taxa de desemprego na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) continuou a acelerar e bateu novo recorde em abril, pelo segundo mês consecutivo. O índice passou de 13,1%, em março, para 13,6% no mês passado, o maior percentual da série histórica da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), iniciada em 2008. A massa de desempregados também é a maior já verificada, chegando a 252 mil pessoas.

Em 12 meses, foram perdidas 106 mil vagas na RMF, a maior parte por conta do fechamento de postos de trabalho do comércio e reparação (-30 mil), seguida pelos serviços, indústria (ambos com menos 26 mil) e construção civil (-16 mil). Em relação ao mês anterior, a construção foi responsável pelo fechamento de nove mil vagas em abril, enquanto houve a perda de cinco mil postos de trabalho no comércio e de dois mil na indústria. Já nos serviços, houve o acréscimo de 25 mil postos.

A elevação do desemprego tem sido alimentada por diversos fatores, segundo o analista de Mercado de Trabalho do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), Mardônio Costa, como o efeito sazonal negativo do primeiro semestre, quando a tendência é de elevação do desemprego; a recessão econômica; e a redução do poder de compra das famílias, o que leva pessoas a retomar a procura pelo trabalho.

Crítica

"Há, realmente, uma conjuntura de desemprego crítica no mercado de trabalho local. E as estimativas que têm sido feitas por economistas é que a economia brasileira ainda vai ter um processo de retração neste ano, de em torno de 3,5% a 4%", apontou Costa. "(A melhora desse cenário) vai depender muito da reversão das expectativas dos agentes econômicos. Os analistas jogam para 2017 essa recuperação do mercado de trabalho, sinalizando que vamos ainda ter um 2016 muito difícil em termos de redução de emprego".

Essa tendência, entretanto, não é percebida somente pelo Ceará. Entre as capitais pesquisadas, a taxa de desemprego da RMF só é mais alta que a de Porto Alegre, de 10,5% em abril. Para se ter uma ideia, o índice mais alto foi registrado em Salvador, que atingiu 23,4%, enquanto no Distrito Federal chegou a 18,6% e, em São Paulo, a 16,8%.

Conforme a pesquisa, o nível de ocupação da população recuou pelo sexto mês seguido, com menos 98 mil pessoas nos últimos doze meses, voltando a ficar abaixo do patamar de 2011. "Retrocedemos aí seis anos. Com isso, percebemos que se leva muito tempo para construir uma ascensão e pouco tempo para perder tudo que foi conquistado", observou o analista. (Diário do Nordeste)