CARLOS MÁRIO

Com o Vento a favor

Cearense fechou 2015 no topo do ranking mundial de kitesurfe e já ocupa a ponta do novo circuito WKL deste ano

Natinho Rodrigues
Carlos Mário, o 'Bebê', atual campeão mundial, é o líder do ranking 2016

Duas vitórias nas duas primeiras etapas deste ano do WKL (World Kite League), novo Circuito Mundial de Kitesurfe, em El Gouna, no Egito, e Leucate, na França, mantiveram o velejador cearense Carlos Mário, o Bebê, 18 anos, campeão mundial em 2015, na ponta do ranking do WKL e como forte candidato ao bi.

De folga do circuito, mas sem se descuidar dos treinos, o atleta nativo do Cauípe, recebeu a reportagem na sexta-feira passada, 6, na Praia do Cumbuco.

"Após a etapa de Leucate, o circuito deu uma parada e só voltaremos às competições em junho, em Dakhla, no Marrocos, sede da terceira etapa do Circuito Mundial, mas continuamos treinando forte, para manter o alto nível nas competições", afirmou Bebê, feliz com a grande fase pela qual está passando.

"Graças a Deus, entrei com tudo em 2016 na briga pelo bi mundial. Na primeira etapa, em El Gouna, entrei focado e preparado para o que desse e viesse. Estava frio durante a competição, mas consegui trazer o título para o Brasil. E na segunda etapa fiquei ainda mais feliz, por ter conseguido outra vitória".

Mesmo de folga, Bebê não dá trégua à preparação e às condições de vento para a competição em Dakhla. "Pelo que sei, a previsão e de vento forte na época da competição e estamos ralando bastante para não sermos surpreendidos pelos adversários e brigarmos por mais um título", diz o bicampeão brasileiro.

Frustração

Apesar dos título mundial e da liderança do ranking neste ano, Bebê lamenta não contar com patrocinadores nacionais.

"Atualmente, conto com dois patrocinadores: Slingshot, que é uma marca de pranchas, e uma fábrica francesa que produz roupas de neoprene, que consegui na competição passada", informa o atleta do Cauípe.

E ele prosseguiu: "patrocínio é a principal dificuldade para nós cearenses do kitesurfe, porque a passagem, hospedagem e alimentação para correr as etapas do Mundial têm um custo elevado. E também seria muito bom contar com apoio de empresas nacionais, poder competir lá fora representando essas empresas. Mas, infelizmente, somente as estrangeiras apostam no nosso talento", reconhece o jovem.

Malgrado todas dificuldades, Carlos Mário, que tem o kitesurfe no DNA - pois o tio Alexandre "Goiaba" foi um dos pioneiros da modalidade no Ceará e no Cauípe, o irmão Carlos Madson já foi campeão brasileiro, assim como o primo, José Evandro -, revela que com o seu esporte já realizou um sonho, dar uma casa à mãe, a quem qualifica como "uma batalhadora". "Ela assumiu a família quando nosso pai faleceu. No começo, ela tinha medo que eu viajasse sozinho para participar das competições", relata Carlos Mário.

Futuro

Bebê acredita que poderá competir em alto nível até os 25 anos, pelo menos, "porque os atletas do freestyle, por executarem manobras radicais, exigem muito dos joelhos e com o tempo as lesões surgem. Por isso estou estudando para garantir o futuro e ter suporte para montar uma escolinha de kite", revela. (Diário do Nordeste)