MAIS 100 EMPRESAS

CSP deve atrair aportes de R$ 3 bi em 10 anos

Consultoria aponta que empresas que irão atender a demandas da siderúrgica deverão gerar 12 mil empregos

Os impactos econômicos da instalação da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), com investimento da ordem de US$ 5,3 bilhões, irão muito além das atividades do próprio empreendimento, previstas para se iniciarem até junho. As demandas geradas com a operação da siderúrgica têm potencial para atrair 100 empresas atuantes em nichos de mercado especializados para o Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), que devem totalizar aportes de R$ 3 bilhões nos próximos dez anos.

Os cálculos são do consultor empresarial Durval Vieira de Freitas, que foi contratado para auxiliar na implementação da siderúrgica. Ele participou ontem do "Seminário Industrialização do Ceará - Desafios e Oportunidades: o que fazer". O evento foi promovido pela Associação das Empresas do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Aecipp), Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico no Ceará (Simec), Sindicato das Construtoras do Ceará (Sinduscon-CE) e Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec).

Vieira aponta que as atividades econômicas atraídas por conta da companhia devem gerar 12 mil empregos, além dos 4 mil postos decorrentes do funcionamento da própria CSP. "Em uma siderúrgicas dessas existem muitos sistemas hidráulicos, pneumáticos, com mangueiras especiais, válvulas especiais. Tudo isso vai gerar uma demanda muito grande", diz o consultor.

Vieira também prevê a instalação na área de empresas com atuação nos segmentos de equipamentos de proteção individual, segurança do trabalho, treinamentos especializados e pintura industrial. "Eu não vejo só a CSP. Eu vejo a CSP como alternativa para a diversificação econômica", salienta.

Empreendimento no Cipp

Segundo dados da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), repassados ao consultor, o Cipp possui 28 empresas. Destas, 18 já estão instaladas e outras dez estão em fase de implementação. Juntas, elas correspondem a um investimento de cerca de R$ 28,5 bilhões, desde 2013 até o ano de 2018. Quando estiverem todos operando, os empreendimentos irão gerar 12,3 mil empregos diretos.

Além da CSP, estão sendo implementadas empresas de diversos segmentos, como a Phoenix Indústria e Serviços de Siderurgia, a Maré Cimento, e a Bahiana Distribuidora de Gás. Já em operação estão indústrias como a Aeris Energy e Wolben, no segmento de energia eólica; a Siderúrgica Latino-Americana (Silat), e a Votorantim Cimentos.

Atrativos

O consultor considera que, na atração de uma empresa, o fator primordial é a infraestrutura social. "Os investidores vem para a área que tem educação de qualidade. Temos que melhorar a qualificação profissional, mas o Ceará é uma referência em educação e isso vai dar resultado em médio prazo", defende ele.

Outro ponto importante na atração dos investimentos privados diz respeito às condições de infraestrutura física, no qual o Porto do Pecém desponta como grande diferencial do Estado por ser "um dos mais modernos do Brasil. Ele tem algo muito importante que é uma retroárea (área adjacente para suprir as deficiências do setor de armazenagem do porto) e um calado (profundidade para a recepção de navios de maior carga)", ressalta.

O posicionamento geográfico do Estado também é destacado pelo consultor. "Hoje, o maior mercado consumidor continua sendo o americano. Nós estamos próximos dos EUA e o porto ajuda muito nisso. Se vier para cá também o hub da TAM, isso facilita (a atração)", acrescenta.

Oportunidades

Na visão de Durval Vieira, o incremento à economia deve ser gerado não apenas pela vinda de novas empresas ao Estado, mas também pelo aproveitamento das oportunidades pela iniciativa local, nas áreas de siderurgia e energias renováveis.

"As 20 maiores indústrias daqui faturam R$ 23 bilhões de reais por ano. Elas geram 110 mil empregos. Os fornecedores locais tem espaço para trabalhar, desde que eles se capacitem para isso. A CSP vai poder comprar de R$ 160 milhões a R$ 280 milhões do mercado local. A indústria de energia renovável vai pode comprar algo em torno de R$ 130 milhões", projeta. (Diário do Nordeste)