NOVO ÂNIMO

Mercado imobiliário cresce 20% no primeiro trimestre

Mesmo com muitos projetos adiados, há os que ousam diante dos momentos de crise e instabilidade econômica

As vendas continuam, tanto de casas como de apartamentos, uma nova forma de empreendimento que tem atingindo principalmente os estudantes universitários
Juazeiro do Norte. O primeiro trimestre começa a dar maior estabilidade ao mercado imobiliário no Cariri, com crescimento de 20% nos negócios em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), no Cariri. A região apresentou, nos últimos anos, um quadro de crescimento do setor, com grande especulação e preços considerados além da realidade local.

Atualmente, mesmo com muitos lançamentos e outros projetos adiados, há os que ousam diante dos momentos de crise e instabilidade econômica, com novos empreendimentos.

Começo difícil

Para o coordenador do Creci, Fagner Canuto, a realidade de mercado no começo do ano era considerada preocupante. Havia uma espécie de paralisação no setor, bastante dinâmico na região nos últimos anos, principalmente no caso específico de Juazeiro do Norte.

Para isso, construtoras chegaram a congelar os seus reajustes, tempo necessário para os clientes pensarem em adquirir o seu imóvel e não desistirem diante das altas nos preços. Essa foi uma das formas de negociar, principalmente com os mais indecisos. Em função da lentidão do mercado, o empreendedor tem buscado uma adaptação.

"Agora quem manda no mercado é o comprador", afirma Canuto. Ele ressalta essa condição, pela ampla oportunidade de negociação que se abre, com preços variáveis e com a vantagem para quem compra, diante do quadro econômico.

Poder de barganha

Para o coordenador do Creci, essa é uma condição em que o poder de barganha aumenta para os consumidores e os preços, antes dentro de uma ampla margem de especulação imobiliária na região, passam a fazer parte de uma realidade de mercado de forma mais acessível. Ele considera importante o crescimento nesses primeiros meses do ano, já que o impacto da crise foi maior no ano passado, e ainda não tinham sido estudadas as melhores alternativas de sobrevivência no mercado, que se tornou bastante competitivo na região do Cariri.

A presença de grandes construtoras deu uma tônica maior ao mercado com projetos permanentes de grandes empreendimentos, principalmente trazendo a verticalização de áreas de Juazeiro do Norte, com prédios comerciais e residenciais. Além disso, o setor de hoteleira ganha impulso, com a construção de empreendimentos como o Ibis, numa das áreas mais valorizadas da região e estratégica, no bairro Triângulo, em Juazeiro do Norte, próximo ao Triângulo, no CraJuBar.

As vendas continuam acontecendo, tanto de casas como de apartamentos na região, numa nova forma de empreendimento que tem atingindo principalmente o público de universidades, que acorre para o Cariri, com a expansão do ensino superior. A condição de pagamento para dar no bolso do cliente está sendo mais estudada pelas construtoras. Para quem não tinha a cultura de poupança, a forma de investimento inicial se torna mais vantajosa. A entrada pode variar entre R$ 5 mil e R$ 8 mil. Além disso, ele pode dividir na planta e há empresas que estão aproveitando prazos mais curtos, com cheques.

Novos financiamentos

Em relação às novas formas de financiamento da Caixa Econômica Federal (CEF), voltando a custear 70% do imóvel, facilita a negociação e as pessoas se sentem estimuladas a adquirir a casa ou apartamento. Quem paga os 30% financia a outra parte com taxa de 6% a 11 % de juros. "Mas essa barganha da taxa vai muito do poder de negociação do cliente, os períodos de pagamento, a idade", diz Canuto.

A especulação em torno dos imóveis no Cariri foi um dos principais aspectos de elevação dos preços, principalmente dos prédios usados em áreas do Centro da cidade. Como exemplo, eram avaliações em torno de R$ 300 mil e o proprietário estava pedindo até R$ 1 milhão.

Tem muitos imóveis usados, agora com valores mais adequados à realidade de mercado, principalmente após a crise econômica. De acordo com o coordenador do Creci, essa situação ainda passa por um período de ajuste, mas que já evoluiu bastante. Há imóvel que estava sendo negociado no valor em torno de R$ 350 mil e foi vendido por R$ 250 mil, num decréscimo de R$ 100 mil. "Isso já representa uma grande mudança", diz.

No ano passado seria realizado o Liquida Imóveis do Cariri, mas o evento não teve a adesão esperada e, por conta disso, não ocorreu. Neste ano, a ideia é poder fazer algo mais adequado à região, com amplo trabalho de marketing.

Em relação às negociações, ele afirma que, quem está vendendo, vai ter de pensar bem antes de informar preço. Tem construtores com um número alto de imóveis para vender, e para o pequeno e médio, é necessário planejar bem antes de lançar um empreendimento. (E.S./Diário do Nordeste)

Adequação

"Tem muitos imóveis usados, agora com valores mais adequados à realidade de mercado, no contexto da crise"

Fagner Canuto-coordenador do Creci

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