CEARÁ PASSA A SER PRODUTOR

Usina de biogás em Caucaia tem investimento de R$ 100 mi

A GNR Fortaleza irá captar e tratar o biogás produzido no Aterro Sanitário Municipal Oeste de Caucaia

A primeira parte do sistema de tratamento foi inaugurada ontem, com a ligação da ignição, que deu início ao processo de queima centralizada dos gases gerados no aterro, permitindo a emissão de um gás 25 vezes menos poluente que antes

O Ceará passará em breve a ser produtor de gás natural, com o início das operações da Gás Natural Renovável Fortaleza (GNR Fortaleza), previsto para o fim de 2017. Em fase de implantação, a unidade irá captar e tratar o biogás produzido no Aterro Sanitário Municipal Oeste de Caucaia (Asmoc), a partir da decomposição do lixo produzido em Fortaleza e na região metropolitana, para, posteriormente, ser utilizado como combustível renovável. Atualmente, o Estado compra gás natural do Rio Grande do Norte para o abastecimento da população.

Até a sua conclusão, o empreendimento custará cerca de R$ 100 milhões, investidos pela iniciativa privada, e será o segundo maior da modalidade no País, ficando atrás somente da usina do Rio de Janeiro. Em construção, a unidade gera mais de 150 empregos diretos e outros 400 indiretos. Quando entrar em operação, está prevista a criação de 25 empregos diretos e de mais de 100 indiretos.

Além de evitar que mais de 610 toneladas de gás carbônico sejam lançados na atmosfera anualmente, a GNR Fortaleza terá capacidade de produzir até 150 mil metros cúbicos de biometano diariamente, com características similares às do gás natural, podendo ser usado para abastecer por veículos e indústrias. Até agosto deste ano, estão sendo esperados equipamentos importados dos Estados Unidos para iniciar o processo de montagem da usina.

Ontem, a primeira parte do sistema de tratamento foi inaugurada com a ligação da ignição, que deu início ao processo de queima centralizada dos gases gerados no aterro, e, assim, passou a permitir a emissão de um gás 25 vezes menos poluente que antes. Na ocasião, foi assinado um convênio entre o Governo do Ceará, a Prefeitura de Fortaleza e a empresa Marquise para a montagem de uma indústria para a distribuição do gás gerado.

Sustentabilidade

Na avaliação do prefeito Roberto Cláudio, a assinatura do convênio é um "grande passo", à medida em que proporciona a utilização de um gás que "só servia, efetivamente, para contaminar a atmosfera". "Não só há uma redução do efeito poluente, mas há a possibilidade de se ter um uso econômico desse gás natural''.

O governador Camilo Santana ressaltou que a experiência pode servir de exemplo para outras regiões do Estado. "O governo também está estimulando o consórcio da região Norte, onde já vai ser iniciada a construção do aterro, na região do Jaguaribe, no Cariri. Em um momento em que só se fala em crise, os empreendedores daqui estão investindo quase R$ 100 milhões em uma unidade que vai ser referência para o Nordeste e para o Brasil", pontuou.

Cerâmica

Para viabilizar o transporte do gás produzido na usina para a indústria e demais consumidores, será licitada até o fim do mês, a construção de um gasoduto ligando o aterro de Caucaia e a empresa de cerâmica Cerbras, no Distrito Industrial III, a primeira cliente do biogás.

De acordo com Antônio Cambraia, presidente da Cegás, o orçamento da obra é estimado em R$ 22 milhões e deve ser concluído em até 18 meses. "Concluídos os trabalhos, o gás natural renovável produzido será inicialmente destinado à empresa Cerbras. Após a regulamentação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o gás natural será injetado na rede de distribuição da companhia", explicou o presidente.

Segundo informa o diretor financeiro da Cerbras, Felipe Mota, a indústria de cerâmica é a maior consumidora de gás natural do Estado do Ceará. "A empresa trabalha em um regime de 24 horas todos os dias e, com o biogás, nós teremos mais uma fonte, o que representa mais segurança para nós", explicou o diretor, acrescentando que a Cerbras passará a utilizar prioritariamente o biogás. (Diário do Nordeste)