8,2 MILHÕES DE PARES

CE lidera exportação de calçados, apesar da crise

Enquanto a exportação local apresentou queda de 11,7% no intervalo, faturamento recuou apenas 5,9%

Mesmo com o momento econômico, o Ceará continua sendo o maior exportador de calçados, em volume, do Brasil. No primeiro bimestre do ano, foram exportados 8,2 milhões de pares que renderam US$ 43,6 milhões no período, conforme dados da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados).

Os números mostram uma queda de 11,7% em relação ao volume de pares vendidos no mesmo período do ano passado, quando mais de 9,2 milhões foram exportados. Em faturamento, porém, a queda foi de 5,9%, principalmente devido à valorização de 6,5% do calçado produzido no Estado, cujo preço do par passou de US$ 4,99, em 2015, para US$ 5,32, neste ano.

Em recursos movimentados, o Ceará só fica atrás do Rio Grande do Sul, que exportou o equivalente a US$ 61,4 milhões no mesmo período, relativos a 3,6 milhões de pares, que têm maior valor agregado.

O volume de exportação do Estado cresceu 45,8% em relação ao primeiro bimestre do ano passado, enquanto o faturamento aumentou 17,9%. No Brasil, foram vendidos para o exterior 21,2 milhões de pares no primeiro bimestre deste ano, um crescimento de 2% em relação ao mesmo intervalo de 2015. O faturamento, entretanto, decresceu 2,2% no período, caindo de US$ 150,4 milhões para US$ 146,9 milhões em 2016.

Balanço anual

Segundo levantamento da Abicalçados, em 2014, o Nordeste produziu 380,6 milhões dos 877 milhões de pares produzidos no Brasil, o que representa 43,6% do volume total.

Enquanto, em 2013, foram fabricados na região 325 milhões de pares, dos 900 milhões de pares produzidos no Brasil, representando, 36,1%. O que mostra que enquanto a produção brasileira caiu, a do Nordeste aumentou. Boa parte é de produtos de Verão, como sandálias e chinelos.

Além do Ceará, o Nordeste teve outros estados fortes no ranking de exportadores em 2015. Como a Paraíba, que ocupou a 4ª posição, exportando 26,46 milhões de pares por US$ 88,42 milhões; a Bahia, em 5º lugar, com 2,8 milhões de pares por US$ 38,58 milhões; Sergipe, em 8º, que exportou 671,25 mil pares por US$ 9 milhões; e Pernambuco, em 9º lugar, com 3,1 milhões de pares exportados por US$ 7,64 milhões. Atualmente, o Nordeste responde como a segunda região que mais gera empregos na atividade. No ano passado, foram 107,5 mil, uma queda de 1,6% em relação a 2014. A Região representa 38% do total de empregos gerados pelo setor, próximo ao percentual do Sul, que emprega 39%.

O Ceará se destacou ocupando a segunda posição, atrás do Rio Grade do Sul, com 54 mil postos gerados. Uma queda de 12% em relação a 2014. No Brasil, em 2015, estavam empregadas 284 mil pessoas. Números que registram queda de 8,1% em relação a 2014.

Mercado interno

A proprietária das lojas Bruna Calçados, localizadas na Avenida Monsenhor Tabosa, Rita Ripardo, afirma visitar feiras em busca de novidades. Na lista de compras, scarpin; sandálias baixas com apliques de pedrarias, mais difíceis de fabricar aqui; e calçados com detalhes artesanais em palha. "Queremos atender todo tipo de público", disse.

Segundo Rita, o mercado, tanto atacado como varejo, está meio parado. Pessoas que vinham do Piauí ou Rio Grande do Norte, por questões de custos, deixaram de vir. As vendas estão acontecendo para lojas do interior mais próximas à Capital.

"A perspectiva para 2016 não está boa, os comentários dos economistas assustam, mas abrimos no ano passado nossa segunda loja e estamos mantendo", analisa. Rita enfatiza que a margem de lucro tem que ser dividida com o cliente e a promoção se tornou constante para vender. (Diário do Nordeste)