INDUSTRIA

Fiec prepara documento para Temer

A Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), juntamente com as outras entidades industriais do Nordeste, prepara documento para ser apresentado ao vice-presidente Michel Temer. Conforme apurado pelo O POVO, as demandas passam por condições especiais para o Nordeste. Um exemplo disso é a redução das taxas praticadas pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB).

A ideia do documento é convergir com a agenda proposta pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que também será entregue a Temer. Conforme a Fiesp, o ajuste fiscal deve acontecer sem aumento de impostos e com a retomada da produção. “Todas as ações são baseadas em políticas horizontais que não se relacionam com setores e nem regiões específicas”, diz o estudo da Fiesp, que trata de políticas nacionais.

Ricardo Alban, presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fiesb), esteve na última sexta-feira no Ceará, com as outras federações, que formam o Movimento Nordeste Forte. Ele reconhece que a realidade de São Paulo não é a mesma que se vivencia por aqui e diz que estão criando uma pauta específica para a região, sem entrar em conflito com a Fiesp. “É natural que eles apresentem uma agenda. Temos que fazer a nossa parte”, explica.

O primeiro ponto a ser analisado, diz Alban, é entender que o Nordeste responde mais forte tanto ao crescimento do País quanto à queda. Com isso, irão pleitear que o BNB seja mais independente. “Precisamos que o FNE (Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste) seja encarado como ação política desigual. Não podemos ter taxas do FNE maiores que as do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Socia)”.

Outra prioridade das entidades é viabilizar a transposição e a revitalização do Rio São Francisco. “Temos que ter a visão de que não podemos mais ter políticas paternalistas. Temos que ter ações que pensem no amanhã, que sejam para um possível novo presidente ou também se for para a presidente (Dilma Rousseff)”.

Questionado se crê que a agenda do Michel Temer abordará o que o Nordeste necessita, o presidente da Fiesb diz que sim. Para ele, haverá estímulo à infraestrutura. “O importante é que se tenha distribuição de renda que não pode ser, por si só, assistencialista”.

O POVO entrou em contato com a Fiec. A Federação preferiu não se pronunciar enquanto o documento com as demandas para o Ceará e para o Nordeste não seja finalizado. “A Fiec está preparando um documento consistente para quando se consumar a ascensão do vice-presidente Michel Temer ao cargo. O Nordeste Forte está preparando esse documento e o apresentaremos nesta semana”.


Saiba mais

A entidade a propor agenda efetiva a Temer foi a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Foram elencados 36 pontos que abrangem: eficiência do Estado para sustentabilidade fiscal; segurança jurídica nas relações de trabalho; reforma tributária; processo de concessões ao setor privado na infraestrutura; priorizar exportações como motor do crescimento; regularizar condições de crédito às empresas; segurança jurídica e regulação; e inovação

Para a indústria do Ceará há demandas, conforme O POVO apurou. Ricard Pereira, diretor do Sindicato das Indústrias Metal Mecânica no Ceará diz que é preciso estimular a valorização do real para as indústrias que importam matéria prima, controlar taxa de juros e flexibilizar as leis trabalhistas

Na indústria da construção pesada, as necessidades são estímulos ao Minha Casa, Minha Vida, obras de saneamento, rodovias e hídricas. Para a construção civil, a agenda deve estimular linhas de crédito, conforme Ananias Granja, presidente do Sindicato da Construção Civil Pesada e vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil. (Beatriz Cavalcante)