BIENAL DO LIVRO DO CEARÁ

Agora só em 2017

Com nova edição transferida para abril o próximo ano, Bienal Internacional do Livro quer fugir do período eleitoral e conseguir de volta a adesão do público escolar

Pelos cálculos de editores, livreiros e escritores, os anúncios da XII Bienal Internacional do Livro do Ceará já deveriam ter começado a aparecer. Se seguisse o calendário previsto, o evento deveria acontecer no próximo mês de dezembro, dois anos após a última edição. Mas a frustração diante dos resultados de 2014, quando uma parcela de expositores não conseguiu movimentar de forma significativa seus estoques, o público registrado estava aquém do esperado - as férias escolares acabaram por esvaziar a visitação de grupos de colégios que esquentam as vendas, e ainda a coincidência com os anos eleitorais, que segundo os organizadores limitam algumas ações, o cronograma de realização da Bienal foi, por fim, alterado.

A decisão foi tomada na última quinta-feira, 19, durante reunião entre a titular da coordenação de Livros, Leitura, Literatura e Biblioteca, da Secretaria da Cultura do Estado, Mileide Flores, e representantes da área editorial. Para não alongar tanto o intervalo entre as edições, decidiram transferir a Bienal para o período entre os dias 14 e 23 de abril de 2017.

“Havia uma demanda muito grande por parte dos livreiros sobre a não realização da Bienal no ano eleitoral. São muitas limitações. Você tem dificuldades para conseguir patrocinadores e para usar as marcas”, explica Mileide, que é coordenadora da Comissão de Curadoria do evento e está envolvida na organização da Bienal desde 1998. Segundo ela, o mês de abril também foi escolhido por estar dentro do período letivo e porque a maior parte dos eventos literários se concentra no segundo semestre do ano, o que acaba lotando a agenda dos possíveis autores convidados.

Livro

O secretário da Cultura do Ceará, Fabiano Piúba, explicou que a discussão em torno do período de realização da Bienal vem acontecendo há muito tempo e que houve uma avaliação consensual em relação à mudança de datas. “As eleições têm impacto negativo pra execução do evento por conta das limitações das legislações eleitorais, que acabam gerando um rol de impedimentos de execução orçamentária”, esclarece o secretário.

Diretora executiva da Premius Editora, que sempre marca presença na Bienal do Livro, Rose Almeida participou da reunião com a Secult e vê com bons olhos a transferência do evento para anos ímpares.

“Beneficia a todos. A Bienal de 2014 foi bem fraca em comparação às anteriores. Foi uma atitude muito bem pensada, até porque não vai concorrer com outros eventos”, afirma. Segundo ela, a Secult garantiu que ainda vai realizar outras reuniões com livreiros e editores para que juntos possam criar um projeto integrado para o evento.

Para a edição 2017 está sendo pensada uma “nova bienal”, com programação que não se restrinja aos dias oficiais no Centro de Eventos do Ceará. “Em agosto vamos apresentar um novo conceito da Bienal, com atividades, seminários e leituras prévias, criando linhas permanentes com as universidades, escolas, agremiações acadêmicas e literárias”, adianta Piúba. Para a renovação da proposta, será formado um novo corpo curatorial, com coordenadores temáticos e conselhos consultivos. A ideia é lançar um calendário de ações continuadas em quatro dimensões: cultural, educativa, cidadã e econômica.

A escolha do mês de abril também é simbólica por situar o evento entre datas que celebram a importância da literatura, como o nascimento de Monteiro Lobato, em 18 de abril, quando se comemora o Dia do Livro Infantil, e 23 de abril, o Dia Mundial do Livro, que marcará o encerramento do evento. (O Povo)