PETROBRAS

Venda de 2 campos de petróleo no CE preocupa

As concessões no Estado estão localizadas nos municípios de Aracati e Icapuí. Decisão foi anunciada em março

A possível venda das concessões de dois campos produtores de petróleo no Ceará poderá gerar efeitos negativos tanto na arrecadação do Estado como na geração de empregos e na manutenção de programas sociais e ambientais mantidos pela Petrobras. Essa é a perspectiva da Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet), caso a concessão dos campos de Fazenda Belém, localizada nos municípios de Aracati e Icapuí, seja vendida.

Entretanto, mesmo que não encontre compradores, há o risco de encerramento das operações do campo, com prejuízos ainda maiores para o Estado e para os dois municípios, diz Ricardo Pinheiro, presidente do Núcleo Nordeste Setentrional da Aepet, que defende a continuidade da operação. "Se as concessões forem vendidas, pode haver uma redução do quadro de trabalhadores, mas se não houver comprador, há o risco de os campos serem fechados", diz.

A Fazenda Belém é responsável por 180 empregos diretos (próprios e terceirizados) e cerca de 250 indiretos.

A decisão de vender as concessões dos campos foi anunciada pela Petrobras no último dia 4 de março. Na ocasião, a empresa petrolífera informou a pretensão de vender 104 concessões em todo País, sendo duas no Ceará. Segundo Pinheiro, em 2010 a empresa já havia tentado vender os campos cearenses, que acabou não se concretizando. "Mas o motivo da venda agora é fazer a capitalização da empresa, fazer caixa", ele diz. Em 12 de maio a Petrobras anunciou um prejuízo de R$ 1,246 bilhão no primeiro trimestre.

Motivo

Embora a intenção de vender os campos tenha sido anunciada durante a gestão do ex-presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, a expectativa é de que o novo presidente da companhia, Pedro Parente, dê continuidade ao saneamento da empresa iniciado pelo seu antecessor.

O representante da Aepet entende que a situação atual do mercado do setor de petróleo não justifica a venda da concessão da Fazenda Belém. Segundo ele, bastaria que o preço do petróleo suba um pouco mais e que se trabalhe na redução de custos operacionais, sem a necessidade de redução de pessoal, para que o campo continue a operar. "Se o campo for fechado ou vendido, o Ceará terá muitas perdas, sendo elas técnicas, econômicas e sociais. A Petrobras está produzindo nesses municípios há mais de 30 anos e tem uma obrigação, um compromisso com a sociedade onde ela está inserida", diz.

Arrecadação

De acordo com a Aepet, a venda dos campos cearenses ou o encerramento de suas atividades irá impactar também na operação da Fábrica de Lubrificantes do Nordeste (Lubnor), já que a Fazenda Belém é responsável por 20% do petróleo processado pela empresa. "Os campos de Aracati e Icapuí produzem em torno de 1.800 barris por dia, e como essa produção é processada pela Lubnor, se essa participação for reduzida a arrecadação de ICMS irá diminuir", diz Pinheiro.

Como os 80% restantes do petróleo processado pela Lubnor é proveniente da Fazenda Alegre, no Espírito Santo, o engenheiro diz que a preocupação é de que o campo daquele estado também seja vendido. "O campo do Espírito Santo não está dentro do pacote anunciado pelo Bendine, mas caso ele seja vendido no futuro, aí o impacto para o Ceará seria muito grande", ele diz. Estima-se, que apenas para o município de Icapuí, a exploração do campo de Fazenda Belém, corresponda a 60% dos impostos arrecadados.

Fazenda Belém

Na área da concessão de Fazenda Belém foram perfurados cerca de 1000 poços e atualmente há 395 poços em produção e 58 poços injetores de água. A produção média dos campos é de 1500 Barris por dia (últimos 12 meses), que após a perfuração recente de 60 poços, passou para cerca de 1800 Barris por dia. O preço do Barril de petróleo tipo Brent, referência para o mercado de petróleo, se encontra em cerca de 50 dólares por barril.

Sem retorno

Procurada pela reportagem para comentar a possibilidade da venda das concessões, a Petrobras não enviou um posicionamento a respeito do assunto até o fechamento desta edição. (Diário do Nordeste)