RANKING

Mais da metade da população de Fortaleza não tem esgoto tratado, aponta estudo

Em ranking do Instituto Trata Brasil, a Capital aparece na 69ª colocação das 100 maiores cidades do país, quando analisados índices de acesso à água e tratamento de esgoto

Fortaleza, Caucaia, na Região Metropolitana, e Juazeiro do Norte, no Cariri, têm grandes desafios a vencer no que se refere aos serviços de água tratada, coleta e tratamento de esgotos. Em um ranking de Saneamento Básico, em que estão as 100 maiores cidades do país em critério populacional, Fortaleza ocupa apenas 69ª colocação (16ª entre as capitais) com 15,78% da população ainda sem acesso à água tratada e mais da metade dos habitantes, 52,5%, sem acesso à coleta e tratamento dos esgotos.

Os números são do ranking feito pelo Instituto Trata Brasil, com base em dados de 2014 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico, do Ministério das Cidades. A cidade de Franca, em São Paulo, é a que apresenta os melhores indices de saneamento básico no país. São Paulo tem seis cidades entre as 10 melhores. Ananindeua, no Pará, é a pior entre as 100 cidades - apenas 26,9% da população tem acesso à agua e nunhum habitante é atendido por rede de esgoto.

O instituto aponta que, apesar dos números negativos, a Capital cearense, na média entre 2010 e 2014, investiu em água e esgotos 30,29% do que arrecadou, índice superior à média das 100 maiores cidades (23%). Conforme o estudo, o índice de perdas de água potável no sistema de distribuição estava em 45,73%, o que também mostra a necessidade de investimentos específicos para reduzir os vazamentos, roubos e ligações clandestinas, entre outros fatores.

Juazeiro do Norte

Em Juazeiro do Norte, a quinta pior cidade neste aspecto entre as 100 maiores, a situação é alarmante. No município, 82,42% da população tinha, em 2014, acesso à água tratada, mas uma importante parcela da população (78%) não tinha acesso às redes de coleta de esgotos. Outro indicador que ajuda a explicar o atraso do saneamento básico é que, na média dos cinco anos analisados, menos de 5% do valor arrecadado foi reinvestido nos serviços - muito abaixo da média nacional que foi de 23% no mesmo período.

O índice de perdas de água potável no processo de distribuição foi elevado, 55,81% (contra uma média nacional de 36,7%).

Caucaia

Na 71ª posição, Caucaia tinha 32,42% das pessoas sem acesso à água tratada e 68,9% não era atendida por coleta de esgoto. O fato positivo é que os investimentos em saneamento básico entre os anos de 2010 e 2014 superaram a arrecadação com os serviços, o que mostra que houve adição de recursos complementares por parte da empresa operadora, prefeitura e Governo do Estado. O município registrou alta perda de água potável no sistema de distribuição de água: 43,38%.

Posicionamento

Por meio de nota, a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) informou que “tem realizado ações com meta na universalização dos serviços de água e esgoto nos municípios atendidos pela companhia”.

“Até 2018, a Cagece pretende investir cerca de R$ 579,4 milhões em abastecimento de água e esgotamento sanitário no Ceará. Desse total, R$ 226,7 milhões serão destinados a melhorias e implantação de redes coletora de esgoto”, afirma.

A nota ainda salienta que saneamento básico engloba outros componentes além de esgotamento sanitário e abastecimento de água. “O termo também envolve drenagem urbana, coleta de lixo, que não são serviços realizados pela Cagece. Portanto, não se pode avaliar o ranking apresentado pelo Instituto Trata Brasil, sem também ouvir as prefeituras das cidades envolvidas na lista”.

A Prefeitura de Fortaleza, por meio de assessoria de imprensa, informou que deve se posicionar em breve. Já as prefeituras de Caucaia e Juazeiro do Norte, em ligações feitas ao gabinete e aos números de assessoria de comunicação informados nos sites oficiais, não atenderam aos seguidos telefonemas.

Dados gerais

A falta de saneamento básico é, conforme o instituto, constante apontado como importante agravante das epidemias causadas pelo mosquito Aedes aegypti (dengue, chykunguya e zika vírus). O instituto classifica a situação brasileira nesse quesito como “alarmante”. De acordo com os últimos dados publicados pelo ranking, o país ainda tem mais de 35 milhões de brasileiros sem acesso aos serviços de água tratada, metade da população sem coleta de esgotos e apenas 40% dos esgotos do país são tratados. (O Povo)