DIZ CIRO

"Querem tabelar todos os gastos, menos os juros para bancos"

O ex-ministro referia-se às medidas econômicas do governo interino de Michel Temer (PMDB), que sugerem estabelecer limite para as despesas federais

Ex-ministro e contrário ao impeachment de Dilma Rousseff (PT), Ciro Gomes criticou medidas econômicas divulgadas pelo presidente em exercício Michel Temer (PMDB) ontem. Para o irmão mais polêmico dos Ferreira Gomes, a tarefa da equipe de Temer “é gerar excedentes no dinheiro que vai faltar para a saúde, educação, segurança, para levar para os serviços dos bancos”.

Para Ciro, Temer de “um homem do mundo dos bancos”, que teria “uma colaboração e uma malícia maior” com estas instituições. Ciro argumentou que, de todas as medidas apresentadas pelo presidente em exercício para serem votadas pelo Congresso Nacional, a que estabelece limite dos gastos federais é “absolutamente intolerável”.

“O que eles estão propondo, aproveitando que o nosso povo está muito machucado e descrente na política”, afirma, “ é que quem quiser pensar em melhorar saúde, segurança, esqueça, pois eles estão querendo tabelar na Constituição”.

O ex-ministro disse, ainda, que a tudo foi posto um limite, menos nos gastos com bancos. “Eles querem tabelar todos os gastos, menos os juros para bancos”, argumentou.

Governo Temer

Crítico ferrenho do presidente em exercício, Ciro também falou do governo Temer. Para ele, “o Brasil ainda tem uma chance, por mais remota que seja, de interromper o itinerário de estupidez para o qual estamos sendo encaminhados por essa quadrilha de bandidos que demarca a maioria da coalização PSDB-PMDB”.

Sobre as chances de retorno da presidente afastada Dilma para o cargo, ele afirmou que “é muito improvável”, mas que “luta” para isso acontecer. “A presidente, tendo a chance de voltar, deveria ver as grandes bobagens cometidas (por Temer) e corrigir os rumos (do País)”.

Ciro falou, ainda, sobre o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, protagonista cearense no escândalo gerado na última segunda-feira, 23, com a divulgação de áudios de conversa dele com o senador Romero Jucá (PMDB-RR) que sugeriam tentativa de obstrução da Lava Jato. Ele defendeu que Machado, investigado pela Operação, faça acordo de delação premiada.

“Tomara que ele faça (delação) e entregue tudinho”, disse. “É preciso que a gente passe a limpo o País, seja quem for”. As declarações foram feitas em entrevista coletiva na tarde de ontem, no Centro de Eventos do Ceará, no Seminário de Prefeitos Ceará 2016. (Diário do Nordeste)