CEARENSE

Supremo Tribunal Federal homologa delação de Sergio Machado

Agora, com a homologação, a delação passa a ter valor jurídico

O Supremo Tribunal Federal (STF) homologou, na noite desta terça-feira, 24, a delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sergio Machado. A decisão foi tomada pelo ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato. Agora, com a homologação, a delação passa a ter valor jurídico. As informações são do portal Valor Econômico.

Pivô de delação que tira hoje o sono da cúpula do PMDB, e que provocou a queda do ministro do Planejamento Romero Jucá, o cearense Sergio Machado é dono de trajetória singular na política local e nacional. Empresário de sucesso na juventude alçado a um dos homens mais poderosos do governo Tasso Jereissati (PSDB), Machado já nutriu ambições pelo governo do Estado e acabou se tornando um dos mais longevos executivos dos governos petistas.

Presidente da Transpetro de 2003 até fevereiro de 2015, o cearense é acusado de operar em nome de seu “padrinho” na estatal, Renan Calheiros (PMDB-AL). Em delação, o ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse ter recebido R$ 500 mil de propinas dele.  


TEMENDO GRAMPO

 Sergio Machado bloqueava celulares quando estava na Transpetro


Em sua sala na Transpetro, no Centro do Rio, o ex-presidente Sérgio Machado, 69, mantinha sobre a mesa um bloqueador de sinal de telefones celulares. 

Durante as 14 horas diárias que permanecia no escritório, mantinha ligada uma música em baixo volume, o que confundiria conversas ao telefone. Temia ser gravado.

Curiosamente, o presidente mais longevo da estatal -ficou no cargo de 2003 a 2014-, voltou a ser assunto a partir de gravações de conversas suas com o ex-ministro do Planejamento, senador Jucá.Machado se afastou da presidência da Transpetro em novembro de 2014, a partir dos primeiros depoimentos da Lava Jato que o citaram em um esquema de repasse de propina da subsidiária da Petrobras para o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). 

De acordo com Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Machado doou ao PMDB de Alagoas R$ 400 mil oriundos de propina, e o partido repassou o dinheiro a Renan. O lobista Fernando Baiano prestou depoimento semelhante. 

À Polícia Federal, Machado admitiu encontros com Baiano. O processo envolvendo o ex-presidente da Transpetro tramita em sigilo no STF (Supremo Tribunal Federal). 

Transpetro

Formado em administração, não tinha experiência na área de atuação da Transpetro quando assumiu a presidência, em 2003, por indicação de Renan Calheiros. 

Na estatal, lançou o Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), que tinha como objetivo contratar navios no país para permitir a reabertura de estaleiros no Brasil. 

O programa contratou 49 embarcações a preços mais altos do que no mercado internacional e levou à abertura de três estaleiros: Atlântico Sul (EAS) e Vard Promar, ambos em Pernambuco, e o Rio Tietê, em Araçatuba (SP). Com a crise da Petrobras, o Promef teve uma reviravolta: foram suspensos oito contratos com o estaleiro Mauá, que fechou as portas em julho do ano passado alegando falta de dinheiro e deixando três navios inacabados. No Vard, dois contratos foram cancelados. Há rumores sobre o cancelamento de outros no EAS. 

O POVO procurou o ex-senador, mas não obteve sucesso nas tentativas.

Saiba mais

Senadores aliados à Dilma Rousseff protocolaram ontem uma representação na PGR pedindo investigação contra o senador Romero Jucá (PMDB-RR) por supostas interferências nas investigações da Operação Lava Jato.

O PDT protocolou ontem representação contra o ex-ministro do Planejamento no Conselho de Ética do Senado sob acusação de quebra de decoro parlamentar.

Em contrapartida, Jucá afirmou que vai exigir de Rodrigo Janot, procurador-geral da República, uma manifestação sobre os áudios divulgados. “Precisa dizer se há algum crime ou conduta irregular”.  ( O Povo com agências de notícias)