MERCADO AUTOMOTIVO

Após duas altas, vendas no varejo cearense estabilizam

O Estado
Após duas altas, vendas no varejo cearense estabilizam

Após registrar duas altas seguidas, o volume de vendas do comércio varejista cearense apresentou estabilidade, na passagem entre março e abril – contrariamente ao movimento ascendente observado em fevereiro (0,5%) e março (1,1%). Apesar do resultado, o setor, sobre igual período de 2017, apresenta resultado positivo de 4,3%, embora essa vantagem seja inferior ao observado em março (5,8%), mantida a mesma base de comparação. Os números constam da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada, ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Sobre a pesquisa anterior, houve melhora da perda acumulada em 12 meses encerrados em abril, de 0,6% (março) para 1,6% – a segunda alta seguida, uma vez que, em fevereiro, a perda era de -0,4%. Já no varejo ampliado – que inclui os setores de veículos e materiais de construção –, acompanhando a elevação de 1,9% em março, houve novo crescimento mensal de 0,8%. Com o resultado, o avanço anual, sobre abril de 2017, subiu de 6,9% (março) para 10,9% – o maior resultado do Nordeste –, enquanto que, em 12 meses encerrados em abril, o índice acumulado passou 4% (março) para 5,5%, segundo o IBGE.

Das 27 Unidades da Federação, 14 registraram alta no volume de vendas, em relação ao mês imediatamente anterior, na série com ajuste sazonal, com destaque para São Paulo (3,6%), Rondônia (2,8%) e Espírito Santo (1,8%), enquanto Pernambuco e Alagoas, além do Ceará, não variaram no período. Por outro lado, entre os que recuaram em vendas, no País, na mesma base de comparação mensal, Amazonas (-8,5%), Mato Grosso do Sul (-3,9%), Roraima (-3,8%) e Acre (-3,6%) destacaram-se com as principais retrações.

Comportamento
Na passagem mensal, conforme o levantamento, houve comportamento diversificado nas vendas entre os estados do Nordeste. Enquanto houve altas em Pernambuco e Sergipe (ambos com 1,3%), Paraíba avançou 0,9%. Entre as reduções, na região, estão Rio Grande do Norte (-2,6%), Piauí (-0,5%) e Maranhão (-0,4%). No varejo ampliado – cujo cálculo é feito em separado porque os dois setores também vendem para o atacado –, o Ceará (0,8%) deteve o terceiro menor resultado mensal, atrás dos estados do Piauí (0,5%); e Alagoas, Bahia e Rio Grande do Norte (ambos com 0,6%). O melhor resultado ficou com Sergipe (3,7%).

Apesar das vendas estáveis, a receita nominal no Ceará subiu 0,5% em relação a março (1%) – igual índice foi observado no varejo ampliado, que também foi bem menor que o mês anterior (2,7%). Apesar disso, houve redução dos ganhos na comparação com igual mês de 2017, de 4,1% – abaixo de março, quando houve alta de 5,9%. No acumulado em 12 meses (entre os meses de abril) o crescimento de 1,5% veio acima do registrado em março, cujo saldo acumulado foi de 0,8%. Considerando o varejo ampliado, a receita avançou 0,5% sobre março (2,7%) e 10,6% sobre igual mês de 2017, acompanhando o ganho de 7,4% em março, nessa base. Já em 12 meses acumulados, a variação registrada foi de 4,6% de alta – acima dos 3,3% de março.

Por atividades, no Estado, entre as que registraram as maiores altas, sobre abril de 2017, estão veículos, motocicletas, partes e peças (31,9%) – que exercem peso importante no índice geral –; material de construção (18,2%); equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (21%); e artigos de uso pessoal e doméstico (10,5%). Por outro lado, a única retração observada nas vendas, nessa base de comparação, foi em livros, jornais, revistas e papelaria (-12,3%). Ainda sobre 2017, quatro atividades mostraram recuperação, saindo do campo negativo – além de material de construção, antes de -2,6% (março) –, como é o caso de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (de -0,1% para 6,9% em abril); móveis e eletrodomésticos (de -5,5% para 6,4%); e tecidos, vestuário e calçados (de -5% para 0,5%)

Comércio acelera o ritmo de expansão

No País, as vendas do varejo avançaram 1% em abril ante março e subiram 0,6% sobre um ano antes – no ano, o varejo acumula alta de 3,4%. De acordo com a PMC, na passagem de fevereiro para março, o comércio havia avançado 1,1%. O IBGE destaca que o “deslocamento” da Páscoa – que neste aconteceu em 1º de abril – exerceu influência negativa nas vendas no mês anterior. No varejo ampliado, a variação de março para abril de 2018 foi de 1,3%. Essa foi a quarta taxa positiva consecutiva, o que gerou um ganho acumulado de 3,7% nesse período. Mas o varejo ampliado ainda está 11,5% abaixo do ponto mais alto da série, que foi registrado em agosto de 2012.

Segundo o levantamento, a maioria das atividades analisadas registrou aumento nas vendas, com exceção de artigos de uso pessoal e doméstico, que ficaram estáveis. De acordo com a gerente da pesquisa, Isabella Nunes, 2018 vem apresentando uma aceleração de ritmo para as vendas do comércio, que se intensificou em março e abril. Na comparação com dezembro do ano passado, o ganho acumulado nos últimos quatro meses foi de 3%.

Ela ressalta que, apesar da melhora, o comércio ainda não recuperou tudo que perdeu em 2015 e 2016. “Mesmo com a melhora observada nos meses de 2018, o comércio, na comparação ajustada sazonalmente, ainda se encontra 6% abaixo do ponto mais alto da série, que foi em outubro de 2014”, afirmou Isabella. (O Estado)