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Financiamento. "Apoio ao PT será fundamental", diz Guimarães

Respeito às diretrizes será um dos aspectos mais considerados para apoio financeiro a candidaturas petistas. Oposição admite desvantagem

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Financiamento. "Apoio ao PT será fundamental", diz Guimarães

Integrante da Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores e um dos mais influentes parlamentares do partido, o deputado federal José Guimarães (CE) sinalizou que o apoio de candidatos petistas a diretrizes do partido será “fundamental” na hora de definir a distribuição do Fundo Eleitoral do partido para campanhas nos estados.

Tal prática poderia complicar vida de Camilo Santana (PT), que sinaliza apoio a Ciro Gomes (PDT) à Presidência mesmo com manutenção da candidatura do ex-presidente Lula pelo PT. “Esse Fundo Eleitoral vamos aplicar com o que o PT decidir. E quem não votar nos candidatos do PT já está a meio caminho para ‘pegar o beco’”, diz Guimarães.

"Quem não votar nos candidatos do PT já está a meio caminho para pegar o beco"

JOSÉ GUIMARÃES
Deputado federal (PT)


Questionado se a frase se aplicaria no caso do governador cearense, Guimarães desconversa: “Governador é governador, então é evidente que nós vamos definir isso no tempo certo”, diz. “Mas é bom deixar claro que o Camilo nunca declarou que não vai votar no Lula. Não vamos antecipar nada, tudo vai ser discutido no momento adequado”, diz.
Principal articulador de Camilo no PT Nacional, Guimarães destacou, no entanto, importância do Fundo Eleitoral para a disputa deste ano.

“O financiamento público das campanhas é o único meio de interditar a interferência do poder econômico na eleição. A democracia tem seu custo, nós lutamos por ela, então temos que pagar”, afirma.

O petista destaca que, para a eleição deste ano, a sigla deve priorizar o financiamento de campanhas à Presidência da República, reeleição de deputados federais e governadores. “Nesta ordem de preferência”, destaca.

Um dos articuladores da oposição, o deputado estadual Carlos Matos (PSDB) admite que o governador sai na vantagem com bloco de alianças amplo, mas minimiza a questão. “É claro que nos coloca em desvantagem, mas isso (financiamento maior) não é decisivo. Já vimos vários casos que mostram que é premissa falsa achar que dinheiro resolve tudo”, afirma.

“Claro que nós estamos brigando contra o poder e contra o dinheiro, mas o povo está vendo isso, não podemos paralisar, deixar de apresentar uma alternativa democrática. Se um grupo consegue reunir 24 partidos, mostra só que não tem compromisso com nada, com nenhuma ideologia. E a população tem percebido isso e nos recebido muito bem”, diz Matos.

Apoiador da candidatura do general Guilherme Theophilo (PSDB) ao governo, o tucano destaca ainda que a sigla negocia novas adesões com outros partidos para a eleição deste ano. “Temos outros partidos em diálogo e podemos sim ter novos apoios”, afirma. “Mas não posso nem te contar quais são, senão eles vão lá e tomam”, brinca. (O Povo - é parceiro de oxereta.com)


1,7 BILHÃO DE REAIS

É o valor destinado ao Fundo Eleitoral para eleições 2018 no País


OS DOIS FUNDOS

FUNDO PARTIDÁRIO

Datando do Código Eleitoral da época da Ditadura, busca financiar atividades de partidos políticos em todo o País. Fixado pelo Congresso, o fundo divide 20% dos recursos igualmente entre todas as siglas, com os demais 80% sendo distribuídos proporcionalmente pelo número de deputados de cada uma (contados da data de diplomação). Fixada em R$ 888,7 milhões em 2018, verba pode ser usada em campanhas. Fundo Eleitoral

Criado em outubro de 2017, o fundo, fixado em 2018 em R$ 1,7 bilhão, será utilizado pela primeira vez nas eleições deste ano.

Criado exclusivamente para o financiamento de campanhas eleitorais, o recurso busca “cobrir” a proibição das doações de pessoas jurídicas para campanhas eleitorais, determinada em 2015 pelo STF.