IMPACTOS SOCIOECONÔMICOS

Os potenciais de negócios no mar do Ceará

Estudo realizado pela consultoria portuguesa PwC Portugal mostra as vantagens e os desafios do litoral cearense

Mateus Dantas/O POVO
Energia e esportes náuticos impactam turismo e investimentos

"O mar é berçário, é de onde se tira o sustento". A frase da marisqueira Marli Soares, 49, exprime a percepção de quem tem nas águas oportunidade para empreender e viu o marido e três filhos fazerem da pescaria o ofício, em Barrinha, Icapuí. Além da comunidade, distante 205 km de Fortaleza, a força econômica do litoral cearense chega aos 573 km de costa. Entram no bojo, da chamada economia do mar, turismo, energia, esportes náutico, indústria do pescado e embarcações.

Em alguns aspectos, o Estado precisa explorar mais seus potenciais. É o que mostra estudo realizado pela consultoria portuguesa PwC Portugal. Dentre os pontos positivos citados está o crescimento de 164% na atividade portuária, entre 2008 e 2017. Também houve aumento no número de navios (51,13%) e contêineres (48,50%). Nesse contexto, o Porto do Pecém é um fator de impulso.

"O Ceará, como todo o Brasil, está encontrando caminhos de crescimento e o encontrou também no oceano", diz Miguel Marques, sócio da Pwc. Ele destaca a importância de estudar o mar para saber explorar de forma sustentável a biodiversidade e as atividades econômicas. "Vocês têm grande atrativo, que é o belíssimo litoral que está aí", complementa.

Esse foi o caminho escolhido pela Marli. Ela conta que fazia a extração predatória das algas, em Icapuí. Eram cerca de 200 kg por mês, vendidos a R$ 0,80 o quilo.

A prática era comum na região e acabou em impacto ambiental negativo no banco da planta aquática. "A gente vendia sem saber para que servia". Atualmente, ela faz parte do projeto Mulheres de Corpo e Algas, da Fundação Brasil Cidadão, que capacitou as mulheres do município para o cultivo e a produção de cosméticos e alimentos.

As algas, que antes eram vendidas a R$0,80, agora, fazem parte de uma composição de sabonetes que são vendidos de R$ 5 a R$ 15, a turistas e pousadas na praia, além de xampus. O produto também se torna alimento na merenda da escola da cidade. O professor Luís Ernesto Arruda Bezerra, do Instituto de Ciências do Mar da Universidade Federal do Ceará (UFC), explica que as possibilidades são muitas.

Além da indústria cosmética, as algas são usadas no sorvete, na pasta de dente etc. "Tem possibilidade para diversos segmentos. Temos espécies importantes e condições climáticas perfeitas", enumera.

Já a produção anual de aquacultura (camarões e outros), que tem forte presença no Ceará, teve queda de 25,90% de 2008 a 2017. Para Guilherme Muchale, gerente do Observatório da Indústria, da Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), a estiagem reflete sobre os números.

Ele também explana a importância de diminuir as tarifas do Porto do Pecém, localizado entre São Gonçalo do Amarante e Caucaia. "Ocorre que os estados vizinhos, como em Natal, no Rio Grande do Norte, acabam tendo preços mais competitivos", aponta.

Rômulo Alexandre Soares, presidente do Conselho de Relações Internacionais da Fiec, frisa que essas fronteiras abrem as portas para o comércio exterior. "A aposta do Pecém é essa. O Estado tem condição para ser potencial não apenas regional, mas um centro mundial", diz. (O Povo - é parceiro de oxereta.com)


Estudo

O estudo Leme - Barómetro PwC da Economia do Mar (Ceará) é constituído pelos índices de diversas variáveis relevantes para subsetores, que pertencem à economia do