ECONOMIA

Vendas em shoppings do Ceará crescem acima da média nacional

O crescimento médio do Brasil ficou em 8,4%, segundo a Abrasce, e, no Estado, alcançou 21%

Aurélio Alves/O POVO
Inauguração de novos estabelecimentos contribuiu para o crescimento no Ceará

A recuperação do comércio varejista já começa a ser percebida pelos representantes do setor de shopping centers. No primeiro semestre de 2019, a Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce) contabilizou crescimento médio de 8,4% nas vendas. No Ceará, a média é ainda maior. Segundo levantamento O POVO, a alta chegou a 21% no período.

O presidente da Abrasce, Glauco Humai, diz que o resultado deste primeiro semestre é o melhor desde o início da crise econômica, em 2014. Ele, no entanto, pondera que a fraca base de comparação do início de 2018 fez com que o resultado de 8,4% ficasse "robusto". Descontando a inflação no período de seis meses, a alta real das vendas dos shopping centers foi de 6%.

"O resultado mostra a resiliência do setor e revela que as estratégias estão funcionando, a eficiência na gestão dos empreendimentos e, sobretudo, como o maior vetor de desenvolvimento é a inovação nesse momento em que passamos por mudanças nas relações de consumo, o setor tem se mostrado antenado a isso", explica o presidente.

Em comparação com outros segmentos do varejo, o setor teve o maior avanço no primeiro trimestre. O supermercadista, por exemplo, cresceu 2,64%, conforme dados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras); enquanto o varejo ampliado, entre janeiro e maio, teve salto de 5% na sua participação em vendas.

O cenário no Ceará é mais positivo ante o restante do País, segundo pesquisa realizada com as redes responsáveis pelos 12 principais shoppings das Regiões Metropolitanas de Fortaleza e do Cariri. O crescimento nas vendas bem acima da média nacional mostra a consolidação desse tipo de equipamento no gosto dos consumidores.

O superintendente do Grand Shopping, Gesley Siqueira, comemorou o fim do semestre com a inauguração de três grandes operações no fim do mês de junho. A primeira parte do ano terminou com uma vacância abaixo de 10% da Área Bruta Locável (ABL), "além do crescimento em volume de vendas acima da expectativa".

No Shopping Iguatemi a previsão para o restante do ano é positiva. A expectativa é inaugurar pelo menos 30 lojas até o fim de 2019, que devem gerar, juntamente com as abertas no primeiro semestre, 500 novas oportunidades de emprego. "Em relação ao crescimento, o Iguatemi registrou alta de 10% no fluxo de pessoas e nas vendas no primeiro semestre. A projeção é que esse percentual chegue a 12% ou 14% até o fim do ano", informa a empresa, em nota.

Essa constante abertura de lojas contribui para a geração de emprego. No ano passado foram 1 milhão de vagas de trabalho no País. Segundo a Abrasce, a vacância média no setor ficou em torno de 4,8%, enquanto a inadimplência em 6,5%. Números "controlados e em queda nos últimos meses", aponta o presidente da associação.

A oferta maior de diferentes ofertas de serviços também contribui para um alta na movimentação de pessoas nos shoppings. No Ceará, esse aumentou chegou a 13%, em média, conforme levantamento O POVO. A administração do Shopping Parangaba informou que, em dezembro, o empreendimento vai inaugurar a Academia Selfit, que amplia os seus negócios no Ceará. O espaço terá 1.400 m².

O crescimento do primeiro semestre do ano deve ser repetido na parte final do ano, conforme expectativa de empresários do setor de shopping centers. Historicamente isso acontece pela maior quantidade de datas em que há movimentação para compras, como o Dia da Criança, Black Friday e Natal.

A primeira data de movimento é o Dia dos Pais. Pesquisa realizada Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e SPC Brasil, 105 milhões de brasileiros devem ir às compras na data. Em média, consumidores pretendem gastar R$ 190 com os presentes, gerando no comércio movimento de cerca de R$ 20 bilhões. Metade deles (52%) pretende comprar itens de vestuário.

Essa quantia é maior que o valor do tíquete médio de compras nos shoppings no primeiro semestre, R$ 93,68. No varejo de rua, o melhor resultado mensal no tíquete médio foi no mês de março, R$ 69,87, segundo levantamento da Abrasce.

O economista Gilberto Barbosa analisa que o varejo é um dos setores que vão apresentar os melhores números quando a economia começar a crescer. O diferencial que os shoppings têm tido ao virarem um "centro de serviços" também é lembrado.

"Há um componente macroeconômico cíclico, em que o varejo será um dos setores que vão apresentar taxas de crescimento mais relevantes em números quando a economia melhorar e os shoppings vão juntos, por reunirem muitas lojas", avalia.

Novidade

O presidente da Abrasce, Glauco Humai, revelou que o Governo Federal iniciou conversas com empresários e estuda criar uma data semelhante ao Black Friday, mas em setembro. A iniciativa é vista como positiva por ele, pois incrementa no calendário mais um período de fortalecimento das vendas.

FGTS

A expectativa para o segundo semestre é bastante positiva para os empresários do setor de shopping centers. O anúncio da liberação do saque do FGTS anima o setor, que espera que parte dos recursos sejam utilizados em compras no varejo.

53%

É o índice de consumidores que acreditam em preços mais altos no Dia dos Pais em comparação a 2018.

38%

Dos consumidores pretendem realizar suas compras nos shoppings, segundo a CNDL/SPC Brasil. (O Povo - é parceiro de oxereta.com)