ECONOMIA

Os desafios de abrir o próprio negócio em meio à crise da pandemia

O POVO traz histórias de pessoas que abriram o próprio negócio durante a pandemia, com responsabilidade coletiva e atenção às regras sanitárias

O Povo -
Paloma Cavalcante e Thereza Estite conseguiram se adequar rapidamente às necessidades de saúde para pacientes ao abrirem a Clínica Ser

Apesar das incertezas diante da recessão global causada pela pandemia do novo coronavírus, há espaço para empreender. Somente no Estado, mais de 16 mil estabelecimentos foram abertos de março e maio deste ano, de acordo com dados da Junta Comercial do Ceará (Jucec). Neste período, porém, um total de 5.520 fechou as portas, restando um saldo de 10.508 novas empresas no Estado.

Na avaliação de especialistas, os riscos de investir em um negócio durante a crise sanitária e econômica são os mesmos já existentes no pré-pandemia, e outras oportunidades podem ser capturadas para atender novas demandas e se alinhar aos novos hábitos de consumo.

Com exceção dos protocolos indispensáveis para garantir a biossegurança na atualidade, o trajeto para o empreendedorismo deve ser o mesmo: estudo de mercado e planejamento. A tecnologia também passa a ser premissa de sobrevivência para negócios novos e veteranos, sejam elas as virtuais ou não.

O economista e professor do Centro Universitário Estácio Ceará, Mário Monteiro, observa que, nesse contexto, há mudança de paradigmas que produz novas vivências nas diversas esferas.

Novas formas de consumo

"A percepção dos consumidores, neste momento, para uma série de produtos e formas de consumir se transformou. Surgiram alterações, e os empreendedores que identificarem esse movimento corretamente vão conseguir fazer um bom investimento", analisa.

Outro fator é a sensibilidade ao observar as brechas mercadológicas sem ignorar os aspectos socioemocionais de uma sociedade atingida pela Covid-19. Mário pondera que desemprego e empobrecimento devem ser levados em conta antes da decisão, mas não podem ser limitadores quando há um projeto bem desenhado.

"Sempre vai existir possibilidades, mas a grande questão é identificá-las. Claro, é preciso um estudo para entender o tamanho de determinado setor, fazer uma escolha certa do produto ou serviço e ter a ambiência como parâmetro", diz.

Força da tecnologia

Durante isolamento social, realizar uma compra online ou pedir a feira por meio de aplicativos é uma realidade vivida até pelos mais resistentes à tecnologia. Ao mesmo tempo em que a concorrência se tornou maior no e-commerce, o mercado consumidor também cresceu. O coordenador de Empreendedorismo da Universidade Federal do Ceará (UFC), Abraão Saraiva, explica que a pandemia acelerou a transformação digital já em curso.

"Os serviços digitais aumentaram e trouxe oportunidades, como o crescimento de alguns segmentos. Foi necessário repensar processos envolvendo várias tecnologias, incluir automação e robotização para ter uma maior proteção do ponto de vista da biossegurança", reforça. O cenário, acrescenta, ampliou as possibilidades de trabalho, formas de produção e marketing.

Para assessora executiva do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Ceará (Sebrae), Alice Mesquita, antes, ao planejar abrir um negócio, o empreendedor costumava pensar primeiro no investimento inicial. Hoje, deve-se focar em como chegar ao cliente e estabelecer uma relação por meio da modernização.

"Toda atividade empreendedora tem os seus riscos. O ideal é pegar a ideia testá-la e ir fazendo os ajustes necessários. Mas não adianta ficar esperando o melhor momento, ele é agora. Contudo, é importante conhecer a atividade que deseja. Quanto mais conhecimento, mais chance para que os ajustes sejam rápidos e assertivos", afirma. (O Povo - é parceiro de oxereta.com)