CONTAGIO EM FORTALEZA

Covid-19: taxa de infecção chega a quase 18% em casas com mais de 5 pessoas em Fortaleza

Foram coletadas 3.300 amostras de 117 bairros de Fortaleza

Fabio Lima - O Povo
Secretaria da Saúde do Município realiza testagem para Covid-19 no bairro São João do Tauape

Em Fortaleza, a taxa de infecção pelo novo coronavírus (Covid-19) chegou a 17,6% em domicílios com mais de cinco habitantes. Dado apresentado na manhã desta quarta-feira, 5, é resultado da segunda fase da pesquisa que avalia os impactos do coronavírus na Capital. Foram coletadas 3.300 amostras, incluindo testes rápidos, coletas de swab nasal para RT-PCR e entrevistas.

Entre os dias 13 e 20 de julho último, foram visitados 117 bairros de Fortaleza. Nesse período, 13,1% dos entrevistados testaram positivo para a Covid-19 com detecção de anticorpos anti Sars-CoV-2. Os bairros com mais amostras colhidas são Vila Velha (96), Mondubim (88) e Barra do Ceará (84).

A segunda rodada da pesquisa Soroprevalência e Estimativa de Circulação Viral do Coronavírus em Fortaleza foi realizada pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), Secretaria Municipal da Saúde de Fortaleza (SMS), com o Instituto Opnus. A primeira fase do estudo, apresentado em junho deste ano, mostrou que mais de 370 mil pessoas já desenvolveram anticorpos contra coronavírus em Fortaleza.

A secretária executiva de Vigilância e Regulação da Secretaria da Saúde (Sesa), Magda Almeida explicou que o estudo faz com que seja possível avaliar a circulação viral atualmente na Capital, além de traçar um entendimento sobre a imunidade na população.

"Algumas coisas ainda não estão claras sobre a Covid-19. Não sabemos se essa imunidade é permanente ou o quanto ela é duradoura, mas é uma base", aponta. "Avaliando a suscetibilidade das diferentes regionais ou como tem se comportado o vírus, a gente avalia o comportamento e faz com que os gestores tomem decisões mais adequadas para o momento".

De acordo com ela, a continuidade da pesquisa deve ser voltada para a reabertura das escolas. O governador Camilo Santana já sinalizou que a proposta, se o cenário de saúde for favorável, é de que as aulas presenciais sejam retomadas em setembro próximo.

A secretária municipal de Saúde, Joana Maciel, destaca que "a informação de circulação viral associada com dados epidemiológicos aponta que a Capital ainda está em fase de epidemia, mas de baixa circulação viral. A despeito da queda de todos os indicadores, a epidemia não acabou", afirma a secretária municipal da Saúde, Joana Maciel. "As medidas de isolamento, distanciamento e higienização das mãos continuam tendo papel fundamental".

Dados epidemiológicos

O estudo mostra que a maior parte (17,6%) dos entrevistados que testaram positivo para a doença e desenvolveram os anticorpos vivem em habitações com pelo menos cinco pessoas. A segunda maior fatia (13,5%) corresponde a pessoas que residem em casas com três pessoas.

A chamada média móvel dos casos confirmados chegou a 861,1 na primeira semana de maio. Entre o fim de julho e o começo de agosto, esse quantitativo se estabilizou em 24,3 casos confirmados de Covid-19 por dia. Também em maio, a média de óbitos foi para 91,6 ao dia. Hoje é de 1,6.

Já o comparativo da soroprevalência entre capitais mostra que Fortaleza é a terceira em proporção da população com anticorpos. A Capital cearense tem 13,1% da população, ficando atrás apenas de Nova York (19,9%) e Londres (17,5%). A estimativa de imunidade das outras capitais havia sido divulgada pelo New York Times em maio último.

O estudo traça parâmetros na Capital cearense a partir das regionais. A regional (SR) I, onde ficam bairros como Barra do Ceará, Jacarecanga e Pirambu, concentra a maior parte de pessoas que desenvolveram anticorpos, com 20,8%. Depois, vêm as SR V (14,2%), III e VI (ambas com 11,9%), IV (9,7%) e II (9,2%).

"O desenho da pesquisa foi feito para que ela fosse representativa para Fortaleza e regionais. Não é representativa para bairro, ao contrário daquela primeira que a gente tinha interesse específico sobre alguns bairros", pondera o gerente da Célula de Vigilância Epidemiológica da SMS, Antônio Lima Neto. "Hoje temos uma transmissão que a gente chama de residual, o que significa que foi percorrido um momento muito difícil".

Além disso, os principais resultados obtidos por meio dos testes rápidos mostram que a soroprevalência entre as mulheres foi maior. Os grupos com menor escolaridade e renda também são dominantes. Há ainda uma tendência de aumento da soroprevalência nas faixas extremas (crianças/adolescentes e idosos). No entanto, o estudo não considera o número de crianças representativo por recusa de muitos pais ao exame.

Já os principais resultados com RT-PCR mostram que a estimativa de circulação viral foi muito baixa em todas as Regionais, em especial. A circulação viral foi discretamente maior entre as mulheres. De acordo com os especialistas, a baixa circulação viral é compatível com a atual situação epidemiológica e assistencial do município de Fortaleza.

"A amostra é muito robusta. São 3.300 casos. A pesquisa da Universidade de Pelotas, que era feita aqui, colhia 250 amostras em Fortaleza. E tem um aspecto inovador de que, além da soroprevalência, a gente quer ver se o vírus está circulando na cidade com força", explica Lima Neto. "Esse retrato tem uma validade (científica) muito importante para dizer que a circulação viral era muito baixa na semana da coleta". (O Povo -é parceiro de oxereta.com)