PESQUISA DA FECOMÉRCIO

Pesquisa da Fecomércio aponta que 74,1% dos empresários do Ceará são contra o lockdown e querem retorno das atividades

Do total de 2.031 entrevistados entre os dias 24 e 27 de março e margem de erro de 2,1% para mais ou para menos. Perguntados objetivamente se são a favor ou contra o lockdown, apenas 38,6% afirmaram apoiar o estado de isolamento rígido

Barbara Moira - O Povo
Lockdown no Ceará é criticado por empresários do comércio. Maioria é contra a medida de isolamento.

Uma pesquisa realizada junto a empresários de todo o Ceará aponta que 74,1% dos empresários cearenses são contra o lockdown e entendem que esse é o momento de flexibilizar as medidas de isolamento. O levantamento foi realizado pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC), ligado à Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Ceará (Fecomércio). Do total de 2.031 entrevistados de forma online entre os dias 24 e 27 de março (a margem de erro é de 2,1% para mais ou para menos), que foram perguntados objetivamente se são a favor ou contra o lockdown, apenas 38,6% afirmaram apoiar o estado de isolamento rígido, enquanto 56,6% disseram ser contra. Outros 2,6% se definiram como indiferentes e 2,3% não souberam responder.

Sobre as medidas de flexibilização, os empresários afirmam através da pesquisa que reabrir as atividades econômicas e afrouxar o isolamento seria uma medida para estimular a economia e evitar o desemprego. Total de 74% apoiam essa visão, segundo o levantamento. Para 22,2%, o mais importante agora é manter as atividades econômicas fechadas como medida de proteção à pandemia.

Data importante para o comércio e que é celebrada neste fim de semana, a Páscoa deve ser amplamente impactada pelo lockdown, avalia o presidente da Fecomércio, Maurício Filizola. "O que estamos prevendo é uma queda de pelo menos 20%, no mínimo, em comparação a 2019. Na realidade estamos tendo impacto principalmente pela não circulação de pessoas".

Filizola explica que a comparação com 2019 se dá pelo fato de ter sido o último ano do feriado em que não houve impacto da pandemia. Ele ressalta que a data vinha de anos seguidos de crescimento até o baque substancial no ano passado. "O setor trabalha muito bem a comunicação para uma data tão importante e que na realidade está tendo impacto, como enfatizo, pelo não deslocamento de pessoas. E o comércio é conexão, é relacionamento e o pegar no produto. O cearense é muito de negociar e acho que o cearense tem o comércio dentro do sangue. Digo que essa essência está sendo tirada de nós e não podemos deixar, temos de lutar por ela e fazer valer a nossa essencial", critica.

Contraponto

Em contraponto às críticas expressas pelos empresários e Fecomércio ao lockdown, O POVO ouviu a médica Liduina Rocha, obstetra e integrante do Coletivo Rebento de Médicos em Defesa da Vida, da Ciência e do SUS. Ela destaca que o primeiro aspecto que precisamos entender é que o lockdown é uma medida sanitária emergencial, somente tomada em momento específico em que as enfermarias e UTIs estão chegando ao seu limite.

Ela lembra ainda que entre o fim de fevereiro e início de março, o sistema de saúde do Ceará esteve próximo do colapso, com ocupação beirando os 100%; num momento em que ficou claro o levante de uma segunda onda, potencializada com a circulação da cepa de Manaus, que acomete da doença perfis além do grupo de risco. Foi observado o aumento do índice de internação de jovens e crianças.

"O lockdown não é uma forma de tratar a doença, apenas a vacinação acontecendo de maneira coletiva. Mas, enquanto isso não acontecer, a medida de proteção mais certa é a redução da mobilidade das pessoas", reitera.

Sobre a discussão de efetividade do lockdown, Liduina destaca que os números provam sua eficácia, já que, ao contrário do País, o Ceará conseguiu aumentar o índice de isolamento com o melhor resultado do País ao se firmar com mais 40% (o ideal segundo a OMS seria de 60%), numa redução do patamar de mortes. O Ceará chegou a um platô no nível de casos e mortes, enquanto no resto do Brasil todos os dias há recordes no número de mortos pela Covid-19.

"O lockdown conseguiu seu fim. Se olharmos os dados do Ceará fica claro como o isolamento salvou vidas. Basta comparar com os resultados do Brasil, que vem aumentando perigosamente seu número de mortes", afirma.

Mesmo com um cenário melhor que o nacional, Liduina avalia que não é momento para precipitações, pois a ocupação dos leitos de UTI ainda é próximo de 90% e espera que o comitê não flexibilize o isolamento para retorno de atividades não-essenciais.

"Entendo que estamos com ocupação de leitos em mais de 90%, não sei se segunda-feira, 5, seja o momento mais ideal de reabrir. Mas quando houver reabertura, que seja muito racional e a que a população participe de forma cuidadosa", pontua. (O Povo - é parceiro de oxereta.com)